sexta-feira, 28 de junho de 2013

IMPULSOS

Trago no peito, muitas vezes,
uma doce calmaria,
uma serenidade edificante,
um refluxo de paz.

Mas, na maioria das vezes,
trago um desejo constante de gritar,
de soltar as amarras que me prendem,
de me revelar aos quatro cantos do mundo...

Por vezes acalmo a alma,
por vezes sufoco a dor e o gemido,
mas, por vezes mais ainda,
grito, clamo, abro o peito e me expando!

Vivo assim nesses impulsos:
às vezes edificantes,
às vezes esfuziantes,
às vezes aniquilantes...

Essa é a minha história
e de tantos seres que habitam
a face dessa confusa e doce terra...

sexta-feira, 21 de junho de 2013

APOSTAR NA SOLIDARIEDADE

Escrevendo aos Coríntios (2Cor 8, 1-9), o apóstolo Paulo reconhece com gratidão o belo gesto dos cristãos da Macedônia que prontamente ajudaram os irmãos de Jerusalém, promovendo uma coleta para suprir as suas  necessidades. Meditando esse texto, fique pensando na necessidade que temos todos, ainda hoje, de apostar numa cultura de partilha, de fraternidade e solidariedade. Precisamos acreditar que a caridade deve ser o elemento principal de nossa prática cristã. Caridade que é gesto singelo de ajuda àquele que nos aborda pedindo um simples pão, até o gesto maior de promover a justiça, lutar pela igualdade e pelo respeito ao direito de todos.
Percebo, em nossos dias, uma cultura do egoísmo e do isolacionismo. Cada vez mais nos trancamos em nossas casas e em nossos mundinhos, esquecendo que a alegria da vida se dá no encontro, no diálogo e na busca do outro. Diante dessa realidade, surge o desafio de respondermos com gestos de partilha, de ajuda fraterna e de doação ao irmão que padece, que sofre fome, que espera um pouco de nós. Mas, junto com isso, devemos entender que é preciso ir além dos gestos isolados e pequenos de caridade: é preciso que, como cidadãos, lutemos para que o mundo seja mais justo e ofereça a todos condições digna de vida... Lutar pelos nossos direitos e dos outros é também fomentar a cultura da solidariedade.
Em nossas comunidades cristãs, certamente, muito podemos fazer para que isso aconteça. Em nosso ambiente de trabalho, em nossa família, em nossa vizinhança, onde estivermos somos chamados a ser portadores desse ideal que pode ser realidade...
Embora tendenciados ao egoísmo, somos desafiados pelo Mestre Jesus  a expressarmos gestos de bondade e fraternidade. É o desafio que se nos é imposto. Como cidadãos, somos convidados a apostar que um mundo mais justo e igual é possível... Ainda podemos apostar que, apesar de tantas experiências de morte e de dor, o homem pode expressar essa beleza infundida no mais profundo do seu ser...

quarta-feira, 19 de junho de 2013

PENSAMENTOS

AMIZADE

A amizade é o perfume da vida, é o tesouro raro que dá alegria! (25.2.11)

ALTERIDADE

É uma grande burrice e intolerância querermos que os outros sejam à nossa imagem e semelhança e que realizem nossos caprichos e vontades... (13.5.11)

AMIZADE II

A amizade é sempre um tesouro de grande valor, por isso, rara... É uma doce ilusão achar que os amigos são muitos, assim como é uma doce tolice sair divulgando a estranhos e quase-conhecidos seus problemas, suas angústias e intimidades. Certamente serão poucos, muito poucos, os que realmente se interessam por seus problemas e virão, solidários, em seu socorro...

RESSUREIÇÃO

A fé na ressureição nos anima na esperança, nos faz caminhar na alegria e superar os temores que nos assaltam. Vivendo nessa esperança revestida de imortalidade, buscamos, cada dia, transformar nossa vida e o mundo em que vivemos, cientes de que a vida plena que Deus nos prepara já começa no hoje da nossa história. (30.3.13)

FÉ E REALIDADE

Se os brasileiros tivessem a mesma paixão por Cristo como têm por futebol, novelas e festas, as nossas igrejas não caberiam nem cinco por cento dos que estariam presentes nelas... (21.4.13)

domingo, 16 de junho de 2013

BUSCA INFINITA

Vivo nesta inquietude palpitante,
Neste desejo insaciável,
Nesta agonia permanente,
Nesta incerteza dilacerante,
Nesta busca infinita...

(Bonfim, 9.10.2011)

ANSIEDADE

Sinto no peito essa inquietude que fere e machuca.
Perco-me no silêncio de mim mesmo.
E nem sempre encontro respostas que me acalme.
Corro ali e acolá,
Espero as horas passarem,
Vejo uma fotografia,
Leio uma página,
Reviro, busco...
...e não consigo acalmar a alma que padece!

(Bonfim, 21.8.2011)

sábado, 15 de junho de 2013

ESPERA

Noite fria, silêncio...
Chuva caindo fina e lenta,
Expectativa.
Por que não vens?
Por que demoras tanto?
Por que prometes e não cumpres?
Passo os dias na esperança que virás...
Passo as noites em eterna ansiedade.
E nada!
Quando voltarás?
Quando chegarás?
Quando virás encher-me de vida e alegria?

(Bonfim, 16.6.2011)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

INSISTÊNCIA

Por que essa insistência, ó dor?
Por que não foges para longe,
deixando-me em paz?

Por que essa saudade sufocante,
essa angústia dilacerante,
essa inconstância constante?

Essas horas vazias, vagarosas, temerosas...
Essa depressão que insiste,
paralisando os atos e sentidos...

Por que insistes, solidão
a visitar essa pobre alma frágil?
Por que não se encontra a paz
e somente a sufocante guerra
da opressão que toma conta?

Essa insistência em desestruturar-me,
é deveras massacrante!

(Igara, 2.2.2004)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

MAIS UMA VEZ É NATAL

Mais uma vez é Natal.
O comércio lateja, pulsa!
Compras e mais compras para alguns.
Ilusões, desejos frustrados para outros
que puseram sua esperança nos bens materiais.

Mais uma vez é Natal...
A Tv anuncia mil e uma atrações.
Olhos ávidos buscam sonhos.
A figura do Papai Noel rouba a cena.
O verdadeiro aniversariante foi esquecido...

Mais uma vez é Natal!
A seca domina o pobre nordeste,
As guerras povoam muitas partes da terra.
A fome mata muitos e muitos.
A violência impera em todo canto.

Mais uma vez é Natal.
Muitos sem casa, sem pão, sem alegria.
Muitos morando em favelas,
Muitos abandonados, mergulhados na dor.
Muitos entorpecidos pelo álcool, pelas drogas,
pelos vícios banais...

Mais uma vez é Natal.
Poucos, em suas mansões, festejam.
Bebida, comida, presentes fartos!
Ali, muitas vezes, risos, desperdícios!
O aniversariante é apenas uma pálida lembrança...

Mais uma vez é Natal!
Igrejas cheias, cantos alegres!
Mensagens de esperança, desejos de solidariedade.
Alguns ainda acreditam na possibilidade
de um mundo novo, melhor!

Mais uma vez é Natal!
Muitos ainda não sabem que o dono da festa é Ele:
o Menino Jesus.
Ele que nasceu para o nosso bem.
É isso, é isso que é Natal!

(Igara, 23.12.2003)

terça-feira, 11 de junho de 2013

MAL QUE NÃO PASSA

Teu rosto
Teus olhos
Tua boca
Tua pele.

Tudo isso ficou marcado em mim!

Corre nas veias o desejo
de te encontrar...

Sonho com tua presença.
Amo tua voz,
tua face serena.

És um mal que prevalece...

(Igara, 1.12.2004)

segunda-feira, 10 de junho de 2013

AUSÊNCIA

Passei a lembrar
Do teu semblante sereno,
Da tua voz meiga,
Da tua presença doce.

E como senti a dor da ausência!
Como é difícil suportar
A ausência de quem se ama.

Essa ausência,
Essa distância tanto machuca!
Os sentidos pedem tua presença,
Dói saber que ela não é possível!

Essa tua falta
Muito marca os meus pobres dias...

(Igara, 29.1.2003)

sábado, 8 de junho de 2013

NATAL

Natal, festa da vida, festa da luz!
Um Menino nos foi dado,
A vida brotou vencendo a morte,
A luz brilhou vencendo as trevas!

Esperança renovada, corações alegre.
Vida palpitando, superando a morte.
Alegria vencendo a dor,
Solidariedade nos semblantes,
Desejos renovados de paz.

Natal: o Menino nasceu,
alegrou-nos,
transformou-nos!

Natal: Cristo é o nosso bem,
Nele a salvação,
Nele o amor maior!

Natal: algo de novo aconteceu,
A nossa vida não foi mais a mesma.

Abramos o coração,
Transformemos a vida,
Lutemos por um mundo novo.
Sejamos solidários,
Defensores do bem e da vida!

Natal: Cristo vem a nós.
Que Ele não passe em vão por nós!

(Igara, dezembro/2002).

sexta-feira, 7 de junho de 2013

PARTIDA

No dia que partiste,
de repente, o dia se fez cinza,
o sol desapareceu.
A chuva fina e silenciosa caía,
enchendo todos de dor e lágrimas.

Partiste serenamente, como viveste...
Sorriso de bondade,
palavra sempre amiga...
Ternura no olhar,
atenção constante a todos!

Partiste, deixaste saudade,
desconsolo...
Mas, certamente, de algum lugar
estás a velar pelos que ficaram
e não esqueceram tua presença
viva e marcante...

(Homenagem a Júlia Barbosa)

(Igara, 5.9.2002)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

DIAS CINZENTOS

Há certos dias em que amanhecemos
mergulhados numa profunda incerteza,
e parece que tudo tende a ruir.
Parece que nenhuma luz tende a aparecer
no fim do túnel!

Há dias que parecem infindos, incertos,
desastrosos, desestimulantes!

Dias sem vida, sem cores,
sem sabores, sem amores!

Parece que o sol não vai despontar,
nuvens negras ficam a rondar,
atormentando a nossa alegria,
deixando-nos imóveis, sem rumo a seguir!

(Igara, 7.4.2002)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

POBRES SERES

Quem somos nós, pobres seres
a vagar por esta terra inóspita?
Somos nada mais que pobres mortais
fadados à miséria, ao opróbrio, à dor!

Inchados de vã vaidade, de vil orgulho,
passamos nossos dias a arquitetar o mal,
a cobiçar o que é alheio,
a gozar de forma egoísta e mesquinha,
sem refletir na dor e na miséria do outro...

E, assim, na ânsia de ter e poder
somos consumidos e esquecemos
que somos pobres seres
que não podemos garantir
nenhum dia de nossa frágil vida.

Quem somos nós?
Pobres seres incapazes de redenção?
Incapazes de transgredir a sede do mal que nos aflora?
Criaturas miseráveis, capazes de alteridade?

E, no entanto, o que se leva?
Riquezas, glórias, bens?
O que resta de tanta arrogância?
Pobres seres que somos,
o que de bom poderemos deixar para quem nos preceder?

Ah! Pobres seres esses homens,
às vezes tão insanos e bestiais.
Ah! Pobres seres, esses que se mascaram eternamente,
mas que não passam de feras horripilantes e devoradoras...

Ah! Esses pobres seres, que somos todos nós!

(Igara, 20.3.2002)

sábado, 1 de junho de 2013

AMIGO

É tão bom saber que tu existes,
encontrar teu olhar sereno,
teu rosto meigo e doce,
tua voz grave e profunda!

É tão bom saber que onde estiveres
posso contar contigo,
experimentar tua bondade,
tua sinceridade,
tua presença encorajadora.

Amigo:
encontrei em ti a alegria de viver,
o gosto pelas coisas simples,
o desejo de abrir-me para os outros,
a constante busca de um sentido para a vida.

Amigo:
palavra suave e doce,
rosto que muito me fala,
presença que muito preenche minha vida.

(Igara, 5/2001)